Como ter certeza de que o casamento acabou?

Filha de um casal que viveu junto até que a morte os separou após cinquenta e sete anos de convivência; casada, mãe de três filhos e apaixonada por famílias, independentemente de sua composição, o que importa é o conceito de família como núcleo de amor e apoio recíproco.

Vivendo nesse contexto, após muitos anos de terapia e a prática de advocacia de família, vem-me a pergunta para poder auxiliar minhas clientes: Qual é o momento em que não dá mais para continuar com o casamento? Quais são os sinais de que o casamento acabou?

Antes de responder às indagações anteriores, é importante falarmos aqui do amor real e do amor ideal. Somos frutos de uma cultura extremamente romântica, crescemos lendo livros em que o príncipe salva a princesa e vivem felizes para sempre. Parece que nesses contos, o único desejo da princesa é ter um príncipe para chamar de seu. Estudamos, trabalhamos e, felizmente, acabamos tendo muito mais sonhos que apenas ter um príncipe ao nosso lado! O problema é que o ideal do príncipe perfeito está arraigado, grudado em nossa cultura. Ressalte-se aqui que o príncipe não se relaciona ao gênero do ser amado, mas sim ao amor idealizado e distinto do amor real.

Questões das mais importantes nos relacionamentos são autoestima, expectativa e realidade. Cuidemos brevemente de cada uma delas. A autoestima faz com que vejamos o outro por meio de nós mesmos, isso significa que, quando nos gostamos, tendemos a valorizar quem nos ama. Funciona mais ou menos assim: sou uma ótima pessoa, digna de ser amada, então, admiro quem me ama, porque essa pessoa é inteligente e tem bom gosto, tanto que me escolheu. Imaginem o raciocínio contrário: menosprezo porque me ama! Na verdade, é uma fórmula simples, quem não se ama não acredita que pode ser amado. Isso é uma fonte enorme de conflitos e desequilíbrios conjugais.

Retornemos ao “príncipe” e ao amor real; pois bem, o nosso companheiro não pode ser perfeito, simplesmente porque isso é impossível! Humanos são imperfeitos. Na verdade, amamos uma pessoa e seus defeitos ou, pelo menos, apesar de seus defeitos. Lembremo-nos de que a recíproca é verdadeira!

O grande equilíbrio de uma relação duradoura e feliz é sabermos lidar com nossas inseguranças e imperfeições em contato com as da outra pessoa. O amor real, diferentemente do príncipe do amor ideal, resolve e supera conflitos o tempo todo, ama a si mesmo, ao outro; perdoa a si mesmo e também ao outro e, assim, a relação cresce e se fortalece.

Já foi dita uma grande verdade: apaixonamo-nos várias vezes pela mesma pessoa!

É nesse vai e vem da vida, maior admiração, menor admiração, menos paixão, mais paixão, que os relacionamentos se desenvolvem.

A conclusão é que não é possível responder às perguntas do início do texto e dizer o momento em que uma relação acabou e que o divórcio ou dissolução da união estável devem ser requeridos. Trata-se de questão absolutamente íntima, pois, se a capacidade humana de magoar é enorme, a de perdoar e reconstruir também o é! Aqui se torna imprescindível dizer que não estamos cuidando de relacionamentos abusivos.

Posso afirmar, no entanto, é que há um momento no qual a pessoa percebe não poder continuar em uma relação que a faz tão infeliz e, por inúmeros motivos, não deseja nela permanecer. Nesse momento, resta-lhe viver o luto do fim de um amor e perceber que, sim, é possível sempre recomeçar!

Gracielle Carrijo Vilela

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